O NERVO EM CARNE VIVA - RETROSPECTIVA DE MARÍLIA RODRIGUES NO MNBA EM 1988

7 de Setembro de 2026
MARILIA RODRIGUES: "Árvore - Fruto", 1965, gravura em metal, água-tinta e relevo.

Excelente texto crítico de Olívio Tavares de Araújo para a exposição retrospectiva de Marília Rodrigues no Museu Nacional de Belas Artes em 1988.  Texto fundamental para compreender a obra desta grande artista.


Olívio Tavares de Araújo
Crítico de Arte


O NERVO EM CARNE VIVA


Sábado, 21 de maio de 1988. Chego ao Rio de Janeiro numa luminosa manhã e me dirijo direto para o apartamento de Marilia Rodrigues, na Urca. Nas seis horas seguintes, vejo seguramente duzentas e tantas gravuras - mais do dobro das que compõem a presente exposição.  O temperamento de Marília, inquieto como sempre, não lhe permite apenas mostrá-las: ela comenta, explica, argumenta, revela suas prediletas, analisa junto comigo sua trajetória. Mas isso não impede, é claro, que eu vá fazendo, por mim mesmo, minhas próprias descobertas.

 

MARÍLIA RODRIGUES, artista gravadora (1937-2009)

A primeira é:  há quanto tempo eu não convivia assim, intimamente, com o mundo e o produto daqueles a que chamo "gravadores essenciais".  São artistas para quem as técnicas gráficas, o corte na madeira, o gesto pró ou contra o veio, a densidade do bastão litográfico, as texturas e relevos obtidos no metal, tudo isso faz parte integrante do próprio mecanismo expressivo, e não é apenas suporte para ele.

Os gravadores essenciais nunca se serviram da gravura como um recurso paralelo coisa que pode acontecer até num criador do porte de Iberê Camargo, por exemplo. Serviram-se da gravura como recurso básico, e até exclusivo em certa época mesmo que, hoje, se dediquem a outras técnicas. O Brasil tem uma grande floração de gravadores essenciais, como Fayga Ostrower, Edith Behring, Marcello Grassmann, Anna Letycia, Anna Bella Geiger, Rossini Perez, Carlos Martins, Maria Bonomi, Evandro Carlos Jardim, Sérgio Fingermann.  Além, naturalmente, dos dois mestres pioneiros, Oswaldo Goeldi e Livio Abramo. Marilia Rodrigues pertence a essa família.

Mais importante que tal confirmação, entretanto, é a segunda revelação que as seis horas seguidas de gravura me forneceram. Trata-se da existência, em Marilia, de um universo pessoal cerrado, compacto, inteiriço, um núcleo de força violento, ao qual ela dá vazão em sua obra. Tanto como crítico quanto como amigo, há mais de vinte anos, acompanho sua carreira e vi, periodicamente, partes de sua produção. Mas vê-la integralmente é outra coisa. O universo mariliano nos envolve, nos agarra, até nos invade, às vezes com agressividade e aspereza. Após a visão da globalidade da obra de Marilia, ambas – a artista e sua gravura cresceram muito ante meus olhos.

 

MARÍLIA RODRIGUES: "Cais", gravura água-tinta, água-forte e ponta-seca.

Junto com o desfile de imagens, Marilia foi-me recordando sua história. Os tempos em que, ainda adolescente em Minas, viu a exposição de um gravador alemão na qual as placas, as provas de estado e as gravuras finais eram mostradas lado a lado "Foi um ataque fulminante de paixão", resume a artista. Na segunda metade dos anos 50, vieram suas primeiras experiências com xilo e metal, tiradas numa prensa de encadernação (em Belo Horizonte não havia outra), sob a orientação do também autodidata em gravura Haroldo Matos. Em fins de 1959, Marilia batalhou e obteve uma bolsa para o atelier de gravura do MAM do Rio, então no começo de sua glória, logo após a visita de Friedlaender. No MAM lecionavam Edith, Anna Letycia, Rossini, José Assumpção de Souza e Walter Marques. Marilia trabalhou com todos eles e também com Goeldi, a quem foi procurar na Escola Nacional de Belas Artes. 

Embora tenha durado só um ano, a convivência com Goeldi foi decisiva. "Ele era tão crítico, tão cáustico, tão cético, e ao mesmo tempo de um carinho tão grande por aqueles de quem se aproximava", diz Marilia. Mais: "Tinha um profundo respeito pelo seu próprio trabalho e pelo alheio. Não corrigia. Tentava entender sua cabeça, o que você queria naquela obra". Com Goeldi, Marilia voltou a trabalhar xilogravura, e com Goeldi adquiriu o "approach" mais tarde utilizado em sua longa experiência didática. 

Até 1963, Marilia viveu no Rio, primeiro trabalhando na Escolinha de Arte do Brasil, com Augusto Rodrigues, e depois no próprio MAM, com Carmem Portinho. Em 63, foi convidada para ensinar na nascente Universidade de Brasília. "Era grande a emoção: inventar e construir uma nova ideia de escola de arte".  Marilia se mandou com todo o coração para o planalto. "Com erros e acertos, o fato é que Darcy Ribeiro modificou o conceito de universidade brasileira. Participar disso representou uma experiência visceral para todos nós!" (Aliás, foi em Brasília que a gravura de Marilia sofreu sua primeira "explosão": as gravuras de Brasília são, em todos os sentidos, de grande felicidade.)

 

MARÍLIA RODRIGUES: "Quando o Congresso sai de cena", 1977. Fotogravura, água-tinta.

Em 1965, a traumática crise da Universidade, com a demissão de cerca de duzentos professores, trouxe Marilia de volta para o Rio. Desde então, ela lecionou no Colégio Andrews, até há poucos meses, além de colaborar de novo com a Escolinha de Arte. Pergunto-me o que, na verdade, Marilia mais ensinou neste período, e concluo que foi vida Com Augusto Rodrigues, ela já adquirira a noção de "como tratar uma criança e participar da formação de um indivíduo" Dizia aos alunos do Andrews, mesmo aos do jardim de infância: "O que vocês acham disso ou daquilo? Sentem-se e falem.

     MARÍLIA RODRIGUES: "Montanhas", gravura em metal,  ponta-seca.

"Dei a todos o direito de exercer a crítica, mostrei-lhes que o professor não é o rei do mundo, que pode estar cansado, irritado, é imperfeito!" Mas o mundo dá suas voltas. Em 22 de março último arrematando o processo político da reabertura brasileira, Marilia Rodrigues foi reintegrada como professora da Universidade Nacional de Brasília. Ao lado dessa luta pela sobrevivência, acidentada, desenvolveu-se a trajetória de Marília Rodrigues como mulher e como artista. Independente, reivindicadora, desde que deixou Minas ela não quis mais voltar para as montanhas, que vê como barreiras. 

(Disse o mais-que-mineiro Alceu Amoroso Lima. "A montanha é antes de tudo a limitação do horizonte").  Viveu sempre sozinha, sem nunca ter tido filhos, numa opção intelectual e existencial inegavelmente pessimista. Foi sempre muito fiel a alguns amigos, companheiros de aventura criadora e de dia-a-dia, como Farnese de Andrade (Tirando a própria Marilia, Farnese é o artista de quem há mais obras no despojado apartamento da Urca: duas. Há ainda uma escultura do também grande amigo Ceschiatti, uma gravura de Anna Bella, uma de Goeldi, uma de Livio Abramo, e alguns objetos de arte popular.) 

Apaixonada por cinema, a linguagem com que mais convive além da sua, Marilia foi fã, durante décadas, de filmes de terror, que ia ver religiosamente, em companhia de Farnese. "Hoje são grosseirissimos, escatológicos, e me horrorizam, em vez de me assustar." Hitchcock, é claro, sempre habitou o seu olimpo, ao lado de Fellini e de Bergman, este com mais dificuldades de convivência. Em matéria de música, o eleito muito bem escoIhido é Johannes Brahms, um romântico, mas o maior e mais clássico entre os grandes românticos tardios. E artistas plásticos? "Para citar só três Francis Bacon, Cézanne e Van Gogh, responde Marilia.

 
MARÍLIA RODRIGUES: "Grande fruto vermelho", gravura em meta, água-tinta e relevo.

Passando a outro nível de transcendência, ela declara não ter "nenhuma relação" com Deus "Desde o momento em que me libertei dele, não quis mais mexer com isso". Mas é supersticiosa, o que no fundo indica uma angústia metafisica. "Tecnicamente não acredito em nada mas acendo incenso na casa todo o dia. Afinal, sou neta de índia paraguaia. 

Mas voltemos à obra. Embora esta exposição não seja uma retrospectiva (Marilia é muito jovem para isso, e tem muita produção à frente), contém exemplos de todas as fases de sua gravura, ordenadas por blocos de sentido, e não por critério cronológico. Mas a leitura diacrônica é possível, estabelecendo um contraponto com os ires-e-vires temáticos, e com os parentescos de recursos e de estilo que repontam ao longo do percurso. 

Olhando para as primeiras gravuras, as de Minas, impressiona-me a visão do lado dramático que Minas de fato tem, e que é aqui o escolhido e fixado pela artista. É Minas "como assombração", diz a própria Marilia. Os primeiríssimos desenhos e algumas gravuras de Ouro Preto mostravam, ainda, um componente intuitivo de organização de espaço cézanniana: basta ver o telhado geometrizado do casario. (Marilia não conhecia Cézanne nessa época.) Depois, o elemento expressionista se instala: as janelas e as casas "escorrem" pelo quadro. Mas as gravuras que mais me fascinam são as de montanhas:  a montanha vista como vértice, a montanha abissal, suas vertentes encontrando-se como pernas fechadas, que escondem uma vagina (Este item voltará à tona mais adiante.) 

Inteiramente opostas são as gravuras feitas cinco anos mais tarde, em Brasília. Ali, ajudando a construir uma universidade, Marília dá vazão à sua alegria de viver. O tema básico são árvores, também geometrizadas e elegantemente trabalhadas, até o nivel de requinte, no metal. É bom lembrar que o atelier do MAM, entre outras coisas, transmitia um fantástico know-how, a chamada "cozinha" da gravura o que, para mim, não é em si pejorativo, pode-se fazer boa a má arte com a "cozinha", ela não passa de um instrumento. Lecionando todo dia, Marilia chegou à total maturidade técnica em Brasília. Usa a cor com raro brilho. Por outro lado, inicia-se aqui o processo de "corso e ricorso", de retomada cíclica e de adaptações e avatares, que caracteriza sua evolução estilística. Das folhas das árvores, por exemplo, surgirão, mais tarde, os interiores dos frutos, as sementes recortadas etc.

 

MARÍLIA RODRIGUES: "Fruto", 1962. Gravura em metal, água-tinta e relevo.

Ao longo da década de 70, Marilia desenvolveu, no Rio, várias séries, nas quais combinou mais de uma técnica. Quantitativamente, sempre predominou a gravura em metal, em suas variantes: ponta-seca, água-tinta, água-forte, maneira-negra etc. "A minha paixão foi pela gravura como um todo', diz Marilia. "Mas o metal tinha uma tal infinidade de possibilidades que eu mergulhei e me absorvi nelas". De qualquer forma, desde os anos 70 ela soma o metal com a xilo ou com a lito, proposta que constitui, em si, um desafio: "Como fundir duas técnicas sem humilhar uma delas?" 

Acho que os resultados demonstram claramente que Marilia realizou essa fusão. Quando opta por madeira ao lado de metal, por exemplo, cada um deles se justifica, e as duas técnicas se integram. A um exame mais detalhado, não perderam suas características específicas; mas estão de tal maneira integradas que nem se percebe, à primeira vista, que há mais de uma. 

Utilizando essas misturas, Marilia realizou as séries de frutos, as de árvores e troncos, as de pássaros, a dos "jogos" (permutações geometrizadas, que foram uma espécie de tira- teima: ela queria provar para si mesma que podia utilizar uma linguagem abstrata), e assim por diante. Na leitura que hoje faço da obra de Marília, depois de tê-la visto em sua inteireza, duas das séries me parecem fundamentais para compreender o todo os pássaros e os frutos. Vamos falar deles um pouco mais.

 
MARÍLIA RODRIGUES: "Árvore - pássaro", 1966, gravura em metal, ponta-seca e relevo.

O animal em especial o pequeno animal: inseto, réptil e pássaro sempre existiu, na obra de Marilia, como algo ameaçador e inquietante (Há uma velha gravura mineira onde uma vespa agigantada assalta o espaço das montanhas). As séries de pássaros representam, até a exacerbação, o lado escuro, o buraco negro, o inconsciente que aflora por simbolismo. A própria Marilia diz que, com os pássaros, "joguei meus terrores para fora". Vendo-os, hoje, percebe-se uma coisa rara na arte brasileira: a gravura utilizada como autoexpressão e confissão, como exorcismo, nada decorativa, nada ornamental. Os pássaros de Marilia não são "bonitos", embora ela, com muito humor, os ache, às vezes, "engraçadinhos. São pedaços de um "dáimon" que vêm à superficie. 

Fica mais fácil perceber de que demônios se trata quando se opõem as séries de pássaros às de frutos. A leitura dialética se torna, então, imediata. Algumas vezes construídos sobre ousadas formas recortadas, os pássaros de Marilia são fálicos. Já os frutos são, sempre e terminantemente, mandálicos, uterinos, vaginais. Uma gravura de 1967 chama-se O Grande Fruto Vermelho. Nada mais é do que um útero, volumoso, talvez semeado de espermatozoides, até o título, a meu ver (é muito raro Marilia pôr títulos nas obras), aponta para o útero. Em outras gravuras de frutos, o fundo é uterino, e as bordas sugerem justamente as rugosidades e asperezas do canal vaginal. Os frutos de Marilia são absolutamente Yin: convidativos, sedutores e abrigantes; os pássaros são Yang ríspidos, fortes e agressivos, prontos a quebrar barreiras e a irromper, fecundadores e destruidores, ao mesmo tempo. 

Não sou psicanalista, e sim crítico de arte e cineasta. Não quero brincar, portanto, de fazer psicanálise amadora nem ela é importante para a valoração estética de uma obra. Mas justamente por minha experiência criadora na área do cinema, somada às leituras teóricas do crítico, sei muito bem que essas pulsões, geralmente inconscientes, existem mesmo, e são o motor mais eficaz da criação. Simbolicamente, todo o universo gravado por Marília aponta um problema principal, que ela resolveu enquanto pessoa (não teve filhos). mas que nunca a deixou de atormentar, enquanto artista a fecundação, a germinação, a sobrevivência e a continuidade da espécie hoje mais que nunca ameaçada por duas pontas, a bomba e a AIDS, além da ferocidade do próprio ser humano, e, por antítese dialética, a destruição e a circunstância trágica do homem.

 
MARÍLIA RODRIGUES: "Árvores/Fruto", 1965. Gravura em metal, água-tinta e relevo.

Por isso, ela lida com símbolos básicos ligados à sexualidade, e talvez por isso sempre tenha tido tanta afinidade com Farnese, cuja problemática fundamental é a mesma. Mas Farnese é homem e Marília é mulher. Isso, além de outros fatores subjetivos, diferencia a maneira pela qual tratam a questão. Farnese o faz mais cosmicamente, ao mesmo tempo em que é mais regressivo e traumático, Marilia é mais confissional. E ambos são igualmente arquetípicos. Fiquei excitado e perturbado ao intuir o segredo maior da gravadora, do qual ela própria, seguramente, nunca teve ideia. E é uma obsessão antiga, basta lembrar as montanhas nas gravuras de Minas: vertiginosas e abissais. 

Mas seria inexato reduzir a obra de Marilia à antinomia Yin/Yang, e pretender que ela trata só de uma problemática pessoal, inconsciente e interior.  Os bichos e os pássaros são o lado ameaçador, o id sombrio, e os frutos são o lado receptivo e construtor, matricial, gerador e fecundável. Há ainda, contudo, um terceiro lado que não se pode esquecer o do ser humano engajado. É uma fase transitória, na carreira de Marilia, mas importante e de grande qualidade, porque vem com a força do vômito, das entranhas postas à mostra 

Refiro-me a duas séries de gravuras. Uma é curtíssima, e contém obras feitas a partir de "photo-etching" (aproveitamento de matrizes fotográficas projetadas na chapa de metal).  Recorrem como tema a Che Guevara e foram executadas no ano de sua morte. (Aqui, de novo, como no "cézannismo" de Minas, a linguagem de Marilia foi só intuitiva: ainda não tinha visto, nessa época, as pinturas da "pop-art" que se servem da fotografia, alto-contrastada ou reticulada, como as séries de cadeiras elétricas e desastres na estrada de Andy Warhol).  A série de Che, que evidentemente nunca foi exposta, me parece comovente e isso porque foi feita com comoção. As posições ideológicas de Marilia são nítidas. Sem nunca ter tido nenhuma carteirinha de qualquer partido, ela gostaria como todo verdadeiro artista, acho eu,  de reformar o mundo. Viver é muito bom e vale a pena. Mas a espécie humana seria seguramente mais feliz com uma distribuição mais justa de trabalho e de riquezas", reclama.

 

MARÍLIA RODRIGUES" "Marília", gravura em metal, relevo e xilogravura.

A outra série é um impressionante álbum, "Registros", de setembro de 1977, cuja machucada epígrafe diz: "O difícil é reformar o bicho homem". Além do interesse a nível de linguagem gráfica - recorte de imagens, justaposição, apropriação de manchetes e fotos de jornal, textos manuscritos na chapa -, o álbum (que esteve exposto, a convite direto dos japoneses, na Bienal de Tóquio) é um dos grandes documentos artísticos da época da repressão. Revê-lo, hoje, é lembrar coisas tão dolorosas que já se haviam apagado da memória como a incineração de livros, no mais perfeito modelo goebbeliano, feito no Brasil em 1974/1975 em Brasília. 

Da assombração em Minas ao alumbramento pelo Rio (presente nas mais recentes gravuras, onde a montanha reaparece, mas com outro clima), passando pelo documento participante, e, em especial, pela discussão, a nível simbólico, do problema básico do homem: o de sua própria existência. Este é o universo denso, tenso, contido na gravura de Marilia Rodrigues, que esta exposição resgata, merecidamente, de uma auto-imposta discrição. Já disse, no começo, que ver criticamente o conjunto de sua obra fê-la crescer a meus olhos - o que também me deu, como amigo, particular emoção. Espero que ambas as coisas - a noção do valor e o prazer da redescoberta - passem igualmente para todo o público que, nesta grande mostra, vai conviver com Marilia Rodrigues. Quem tinha razão, mesmo, era mestre Goeldi: "Essa menina tem nervo", dizia "podem deixar que eu cuido dela". Pois o nervo de Marilia aí está, não só à flor da pele, mas posto para fora, vibrante, pulsátil, exibido em carne viva.


Olívio Tavares de Araújo
São Paulo, 1988.