O NERVO EM CARNE VIVA - RETROSPECTIVA DE MARÍLIA RODRIGUES NO MNBA EM 1988
Excelente texto crítico de Olívio Tavares de Araújo para a exposição retrospectiva de Marília Rodrigues no Museu Nacional de Belas Artes em 1988. Texto fundamental para compreender a obra desta grande artista.Olívio Tavares de AraújoCrítico de ArteO NERVO EM CARNE VIVASábado,
21 de maio de 1988. Chego ao Rio de Janeiro numa luminosa manhã e me dirijo
direto para o apartamento de Marilia Rodrigues, na Urca. Nas seis horas
seguintes, vejo seguramente duzentas e tantas gravuras - mais do dobro das que
compõem a presente exposição. O
temperamento de Marília, inquieto como sempre, não lhe permite apenas
mostrá-las: ela comenta, explica, argumenta, revela suas prediletas, analisa
junto comigo sua trajetória. Mas isso não impede, é claro, que eu vá fazendo,
por mim mesmo, minhas próprias descobertas.
MARÍLIA RODRIGUES, artista gravadora (1937-2009)A
primeira é: há quanto tempo eu não
convivia assim, intimamente, com o mundo e o produto daqueles a que chamo
"gravadores essenciais". São
artistas para quem as técnicas gráficas, o corte na madeira, o gesto pró ou
contra o veio, a densidade do bastão litográfico, as texturas e relevos obtidos
no metal, tudo isso faz parte integrante do próprio mecanismo expressivo, e não
é apenas suporte para ele.
Os
gravadores essenciais nunca se serviram da gravura como um recurso paralelo
coisa que pode acontecer até num criador do porte de Iberê Camargo, por
exemplo. Serviram-se da gravura como recurso básico, e até exclusivo em certa
época mesmo que, hoje, se dediquem a outras técnicas. O Brasil tem uma grande
floração de gravadores essenciais, como Fayga Ostrower, Edith Behring, Marcello
Grassmann, Anna Letycia, Anna Bella Geiger, Rossini Perez, Carlos Martins,
Maria Bonomi, Evandro Carlos Jardim, Sérgio Fingermann. Além, naturalmente, dos dois mestres
pioneiros, Oswaldo Goeldi e Livio Abramo. Marilia Rodrigues pertence a essa família.
Mais
importante que tal confirmação, entretanto, é a segunda revelação que as seis
horas seguidas de gravura me forneceram. Trata-se da existência, em Marilia, de
um universo pessoal cerrado, compacto, inteiriço, um núcleo de força violento,
ao qual ela dá vazão em sua obra. Tanto como crítico quanto como amigo, há mais
de vinte anos, acompanho sua carreira e vi, periodicamente, partes de sua
produção. Mas vê-la integralmente é outra coisa. O universo mariliano nos
envolve, nos agarra, até nos invade, às vezes com agressividade e aspereza.
Após a visão da globalidade da obra de Marilia, ambas – a artista e sua gravura
cresceram muito ante meus olhos.
MARÍLIA RODRIGUES: "Cais", gravura água-tinta, água-forte e ponta-seca.
Junto
com o desfile de imagens, Marilia foi-me recordando sua história. Os tempos em
que, ainda adolescente em Minas, viu a exposição de um gravador alemão na qual
as placas, as provas de estado e as gravuras finais eram mostradas lado a lado
"Foi um ataque fulminante de paixão", resume a artista. Na segunda
metade dos anos 50, vieram suas primeiras experiências com xilo e metal,
tiradas numa prensa de encadernação (em Belo Horizonte não havia outra), sob a
orientação do também autodidata em gravura Haroldo Matos. Em fins de 1959,
Marilia batalhou e obteve uma bolsa para o atelier de gravura do MAM do Rio,
então no começo de sua glória, logo após a visita de Friedlaender. No MAM
lecionavam Edith, Anna Letycia, Rossini, José Assumpção de Souza e Walter Marques.
Marilia trabalhou com todos eles e também com Goeldi, a quem foi procurar na
Escola Nacional de Belas Artes.
Embora
tenha durado só um ano, a convivência com Goeldi foi decisiva. "Ele era
tão crítico, tão cáustico, tão cético, e ao mesmo tempo de um carinho tão
grande por aqueles de quem se aproximava", diz Marilia. Mais: "Tinha
um profundo respeito pelo seu próprio trabalho e pelo alheio. Não corrigia.
Tentava entender sua cabeça, o que você queria naquela obra". Com Goeldi,
Marilia voltou a trabalhar xilogravura, e com Goeldi adquiriu o
"approach" mais tarde utilizado em sua longa experiência didática.
Até
1963, Marilia viveu no Rio, primeiro trabalhando na Escolinha de Arte do
Brasil, com Augusto Rodrigues, e depois no próprio MAM, com Carmem Portinho. Em
63, foi convidada para ensinar na nascente Universidade de Brasília. "Era
grande a emoção: inventar e construir uma nova ideia de escola de arte". Marilia se mandou com todo o coração para o
planalto. "Com erros e acertos, o fato é que Darcy Ribeiro modificou o
conceito de universidade brasileira. Participar disso representou uma
experiência visceral para todos nós!" (Aliás, foi em Brasília que a
gravura de Marilia sofreu sua primeira "explosão": as gravuras de Brasília
são, em todos os sentidos, de grande felicidade.)
MARÍLIA RODRIGUES: "Quando o Congresso sai de cena", 1977. Fotogravura, água-tinta.
Em
1965, a traumática crise da Universidade, com a demissão de cerca de duzentos
professores, trouxe Marilia de volta para o Rio. Desde então, ela lecionou no
Colégio Andrews, até há poucos meses, além de colaborar de novo com a Escolinha
de Arte. Pergunto-me o que, na verdade, Marilia mais ensinou neste período, e
concluo que foi vida Com Augusto Rodrigues, ela já adquirira a noção de
"como tratar uma criança e participar da formação de um indivíduo"
Dizia aos alunos do Andrews, mesmo aos do jardim de infância: "O que vocês
acham disso ou daquilo? Sentem-se e falem. MARÍLIA RODRIGUES: "Montanhas", gravura em metal, ponta-seca.
"Dei
a todos o direito de exercer a crítica, mostrei-lhes que o professor não é o
rei do mundo, que pode estar cansado, irritado, é imperfeito!" Mas o mundo
dá suas voltas. Em 22 de março último arrematando o processo político da
reabertura brasileira, Marilia Rodrigues foi reintegrada como professora da
Universidade Nacional de Brasília. Ao lado dessa luta pela sobrevivência,
acidentada, desenvolveu-se a trajetória de Marília Rodrigues como mulher e como
artista. Independente, reivindicadora, desde que deixou Minas ela não quis mais
voltar para as montanhas, que vê como barreiras.
(Disse
o mais-que-mineiro Alceu Amoroso Lima. "A montanha é antes de tudo a limitação
do horizonte"). Viveu sempre
sozinha, sem nunca ter tido filhos, numa opção intelectual e existencial
inegavelmente pessimista. Foi sempre muito fiel a alguns amigos, companheiros
de aventura criadora e de dia-a-dia, como Farnese de Andrade (Tirando a própria
Marilia, Farnese é o artista de quem há mais obras no despojado apartamento da
Urca: duas. Há ainda uma escultura do também grande amigo Ceschiatti, uma
gravura de Anna Bella, uma de Goeldi, uma de Livio Abramo, e alguns objetos de
arte popular.)
Apaixonada
por cinema, a linguagem com que mais convive além da sua, Marilia foi fã,
durante décadas, de filmes de terror, que ia ver religiosamente, em companhia
de Farnese. "Hoje são grosseirissimos, escatológicos, e me horrorizam, em
vez de me assustar." Hitchcock, é claro, sempre habitou o seu olimpo, ao
lado de Fellini e de Bergman, este com mais dificuldades de convivência. Em
matéria de música, o eleito muito bem escoIhido é Johannes Brahms, um
romântico, mas o maior e mais clássico entre os grandes românticos tardios. E
artistas plásticos? "Para citar só três Francis Bacon, Cézanne e Van Gogh,
responde Marilia.
MARÍLIA RODRIGUES: "Grande fruto vermelho", gravura em meta, água-tinta e relevo.
Passando
a outro nível de transcendência, ela declara não ter "nenhuma
relação" com Deus "Desde o momento em que me libertei dele, não quis
mais mexer com isso". Mas é supersticiosa, o que no fundo indica uma
angústia metafisica. "Tecnicamente não acredito em nada mas acendo incenso
na casa todo o dia. Afinal, sou neta de índia paraguaia.
Mas
voltemos à obra. Embora esta exposição não seja uma retrospectiva (Marilia é
muito jovem para isso, e tem muita produção à frente), contém exemplos de todas
as fases de sua gravura, ordenadas por blocos de sentido, e não por critério
cronológico. Mas a leitura diacrônica é possível, estabelecendo um contraponto
com os ires-e-vires temáticos, e com os parentescos de recursos e de estilo que
repontam ao longo do percurso.
Olhando
para as primeiras gravuras, as de Minas, impressiona-me a visão do lado dramático
que Minas de fato tem, e que é aqui o escolhido e fixado pela artista. É Minas
"como assombração", diz a própria Marilia. Os primeiríssimos desenhos
e algumas gravuras de Ouro Preto mostravam, ainda, um componente intuitivo de
organização de espaço cézanniana: basta ver o telhado geometrizado do casario.
(Marilia não conhecia Cézanne nessa época.) Depois, o elemento expressionista
se instala: as janelas e as casas "escorrem" pelo quadro. Mas as
gravuras que mais me fascinam são as de montanhas: a montanha vista como vértice, a montanha
abissal, suas vertentes encontrando-se como pernas fechadas, que escondem uma
vagina (Este item voltará à tona mais adiante.)
Inteiramente
opostas são as gravuras feitas cinco anos mais tarde, em Brasília. Ali, ajudando
a construir uma universidade, Marília dá vazão à sua alegria de viver. O tema básico
são árvores, também geometrizadas e elegantemente trabalhadas, até o nivel de requinte,
no metal. É bom lembrar que o atelier do MAM, entre outras coisas, transmitia
um fantástico know-how, a chamada "cozinha" da gravura o que, para
mim, não é em si pejorativo, pode-se fazer boa a má arte com a
"cozinha", ela não passa de um instrumento. Lecionando todo dia,
Marilia chegou à total maturidade técnica em Brasília. Usa a cor com raro
brilho. Por outro lado, inicia-se aqui o processo de "corso e
ricorso", de retomada cíclica e de adaptações e avatares, que caracteriza
sua evolução estilística. Das folhas das árvores, por exemplo, surgirão, mais
tarde, os interiores dos frutos, as sementes recortadas etc.
MARÍLIA RODRIGUES: "Fruto", 1962. Gravura em metal, água-tinta e relevo.
Ao
longo da década de 70, Marilia desenvolveu, no Rio, várias séries, nas quais combinou
mais de uma técnica. Quantitativamente, sempre predominou a gravura em metal,
em suas variantes: ponta-seca, água-tinta, água-forte, maneira-negra etc.
"A minha paixão foi pela gravura como um todo', diz Marilia. "Mas o
metal tinha uma tal infinidade de possibilidades que eu mergulhei e me absorvi
nelas". De qualquer forma, desde os anos 70 ela soma o metal com a xilo ou
com a lito, proposta que constitui, em si, um desafio: "Como fundir duas
técnicas sem humilhar uma delas?"
Acho
que os resultados demonstram claramente que Marilia realizou essa fusão. Quando
opta por madeira ao lado de metal, por exemplo, cada um deles se justifica, e
as duas técnicas se integram. A um exame mais detalhado, não perderam suas
características específicas; mas estão de tal maneira integradas que nem se
percebe, à primeira vista, que há mais de uma.
Utilizando
essas misturas, Marilia realizou as séries de frutos, as de árvores e troncos,
as de pássaros, a dos "jogos" (permutações geometrizadas, que foram
uma espécie de tira- teima: ela queria provar para si mesma que podia utilizar
uma linguagem abstrata), e assim por diante. Na leitura que hoje faço da obra
de Marília, depois de tê-la visto em sua inteireza, duas das séries me parecem
fundamentais para compreender o todo os pássaros e os frutos. Vamos falar deles
um pouco mais.
MARÍLIA RODRIGUES: "Árvore - pássaro", 1966, gravura em metal, ponta-seca e relevo.
O
animal em especial o pequeno animal: inseto, réptil e pássaro sempre existiu,
na obra de Marilia, como algo ameaçador e inquietante (Há uma velha gravura
mineira onde uma vespa agigantada assalta o espaço das montanhas). As séries de
pássaros representam, até a exacerbação, o lado escuro, o buraco negro, o
inconsciente que aflora por simbolismo. A própria Marilia diz que, com os
pássaros, "joguei meus terrores para fora". Vendo-os, hoje,
percebe-se uma coisa rara na arte brasileira: a gravura utilizada como autoexpressão
e confissão, como exorcismo, nada decorativa, nada ornamental. Os pássaros de
Marilia não são "bonitos", embora ela, com muito humor, os ache, às
vezes, "engraçadinhos. São pedaços de um "dáimon" que vêm à
superficie.
Fica
mais fácil perceber de que demônios se trata quando se opõem as séries de pássaros
às de frutos. A leitura dialética se torna, então, imediata. Algumas vezes
construídos sobre ousadas formas recortadas, os pássaros de Marilia são
fálicos. Já os frutos são, sempre e terminantemente, mandálicos, uterinos,
vaginais. Uma gravura de 1967 chama-se O Grande Fruto Vermelho. Nada mais é do
que um útero, volumoso, talvez semeado de espermatozoides, até o título, a meu
ver (é muito raro Marilia pôr títulos nas obras), aponta para o útero. Em
outras gravuras de frutos, o fundo é uterino, e as bordas sugerem justamente as
rugosidades e asperezas do canal vaginal. Os frutos de Marilia são absolutamente
Yin: convidativos, sedutores e abrigantes; os pássaros são Yang ríspidos,
fortes e agressivos, prontos a quebrar barreiras e a irromper, fecundadores e
destruidores, ao mesmo tempo.
Não
sou psicanalista, e sim crítico de arte e cineasta. Não quero brincar,
portanto, de fazer psicanálise amadora nem ela é importante para a valoração
estética de uma obra. Mas justamente por minha experiência criadora na área do
cinema, somada às leituras teóricas do crítico, sei muito bem que essas
pulsões, geralmente inconscientes, existem mesmo, e são o motor mais eficaz da
criação. Simbolicamente, todo o universo gravado por Marília aponta um problema
principal, que ela resolveu enquanto pessoa (não teve filhos). mas que nunca a
deixou de atormentar, enquanto artista a fecundação, a germinação, a
sobrevivência e a continuidade da espécie hoje mais que nunca ameaçada por duas
pontas, a bomba e a AIDS, além da ferocidade do próprio ser humano, e, por antítese
dialética, a destruição e a circunstância trágica do homem.
MARÍLIA RODRIGUES: "Árvores/Fruto", 1965. Gravura em metal, água-tinta e relevo.
Por
isso, ela lida com símbolos básicos ligados à sexualidade, e talvez por isso sempre
tenha tido tanta afinidade com Farnese, cuja problemática fundamental é a
mesma. Mas Farnese é homem e Marília é mulher. Isso, além de outros fatores
subjetivos, diferencia a maneira pela qual tratam a questão. Farnese o faz mais
cosmicamente, ao mesmo tempo em que é mais regressivo e traumático, Marilia é
mais confissional. E ambos são igualmente arquetípicos. Fiquei excitado e
perturbado ao intuir o segredo maior da gravadora, do qual ela própria,
seguramente, nunca teve ideia. E é uma obsessão antiga, basta lembrar as
montanhas nas gravuras de Minas: vertiginosas e abissais.
Mas
seria inexato reduzir a obra de Marilia à antinomia Yin/Yang, e pretender que
ela trata só de uma problemática pessoal, inconsciente e interior. Os bichos e os pássaros são o lado ameaçador,
o id sombrio, e os frutos são o lado receptivo e construtor, matricial, gerador
e fecundável. Há ainda, contudo, um terceiro lado que não se pode esquecer o do
ser humano engajado. É uma fase transitória, na carreira de Marilia, mas
importante e de grande qualidade, porque vem com a força do vômito, das
entranhas postas à mostra
Refiro-me
a duas séries de gravuras. Uma é curtíssima, e contém obras feitas a partir de
"photo-etching" (aproveitamento de matrizes fotográficas projetadas
na chapa de metal). Recorrem como tema a
Che Guevara e foram executadas no ano de sua morte. (Aqui, de novo, como no
"cézannismo" de Minas, a linguagem de Marilia foi só intuitiva: ainda
não tinha visto, nessa época, as pinturas da "pop-art" que se servem
da fotografia, alto-contrastada ou reticulada, como as séries de cadeiras elétricas
e desastres na estrada de Andy Warhol). A série de Che, que evidentemente nunca foi
exposta, me parece comovente e isso porque foi feita com comoção. As posições
ideológicas de Marilia são nítidas. Sem nunca ter tido nenhuma carteirinha de
qualquer partido, ela gostaria como todo verdadeiro artista, acho eu, de reformar o mundo. Viver é muito bom e vale
a pena. Mas a espécie humana seria seguramente mais feliz com uma distribuição
mais justa de trabalho e de riquezas", reclama.
MARÍLIA RODRIGUES" "Marília", gravura em metal, relevo e xilogravura.
A
outra série é um impressionante álbum, "Registros", de setembro de
1977, cuja machucada epígrafe diz: "O difícil é reformar o bicho
homem". Além do interesse a nível de linguagem gráfica - recorte de
imagens, justaposição, apropriação de manchetes e fotos de jornal, textos
manuscritos na chapa -, o álbum (que esteve exposto, a convite direto dos
japoneses, na Bienal de Tóquio) é um dos grandes documentos artísticos da época
da repressão. Revê-lo, hoje, é lembrar coisas tão dolorosas que já se haviam
apagado da memória como a incineração de livros, no mais perfeito modelo
goebbeliano, feito no Brasil em 1974/1975 em Brasília.
Da
assombração em Minas ao alumbramento pelo Rio (presente nas mais recentes gravuras,
onde a montanha reaparece, mas com outro clima), passando pelo documento participante,
e, em especial, pela discussão, a nível simbólico, do problema básico do homem:
o de sua própria existência. Este é o universo denso, tenso, contido na gravura
de Marilia Rodrigues, que esta exposição resgata, merecidamente, de uma
auto-imposta discrição. Já disse, no começo, que ver criticamente o conjunto de
sua obra fê-la crescer a meus olhos - o que também me deu, como amigo,
particular emoção. Espero que ambas as coisas - a noção do valor e o prazer da
redescoberta - passem igualmente para todo o público que, nesta grande mostra,
vai conviver com Marilia Rodrigues. Quem tinha razão, mesmo, era mestre Goeldi:
"Essa menina tem nervo", dizia "podem deixar que eu cuido
dela". Pois o nervo de Marilia aí está, não só à flor da pele, mas posto
para fora, vibrante, pulsátil, exibido em carne viva.Olívio Tavares de AraújoSão Paulo, 1988.