O Papel da Arte

EMOLDURAMENTO

Como emoldurar corretamente a sua gravura ?

Julio Reis

É muito comum comprarmos uma gravura que esteja com algum tipo de oxidação,  mofo ou mesmo rasgo e enviá-la a um especialista em papel para   o restauro e limpeza dessas manchas e sujeiras adquiridas com o tempo e a má conservação. Dependendo do estado  da gravura, às vezes  sai caro o processo de restauro devido às dificuldades enfrentadas pelo profissional  que precisa conhecer muito bem não só os mais variados tipos de papel e sua constituição  como também os produtos  químicos (tintas, vernizes, graxas etc) empregados na sua execução.

Após a compra dessa gravura e os custos para resgatar toda a sua beleza após o restauro,  o colecionador comete então um dos seus maiores erros:  manda emoldurá-la na vidraçaria da esquina, aquela mesma onde ele encomendou o box blindex do seu banheiro e também os vidros das janelas da sua sala.  Um erro fatal  cuja conta será cobrada futuramente, afinal o barato sempre sai caro.

O alto teor de acidez dos paspaturs comuns e sem ph neutro, o uso de fundos de duratex, madeira ou papelão para “fechar” o quadro,  agem como verdadeiros inimigos da gravura, que em pouco tempo sofrerá com a acidez desses materiais apresentando novas manchas,  pontos de amarelecimento ou mofo e necessitando assim de uma nova ida ao restaurador.

É importante que você leve sua gravura a um moldureiro que entenda o mínimo de conservação  e utilize papéis adequados para emoldurar  corretamente  sua obra. Os custos realmente não são altos se você comparar com os gastos que teve na compra e restauro de sua gravura.  É como você comprar o carro dos seus sonhos e só abastecê-lo com gasolina adulterada, ou seja, em pouco tempo aparecerão problemas.

Conversei com o André Vincenti,  da Molducenter, empresa especializada em papéis especiais para emolduramento de gravuras, que me disse: ” – a vantagem de você usar um papel alcalino é que ele possui em sua constituição uma reserva maior de carbonato de cálcio, que inibirá por maior tempo a proliferação de fungos e a acidez do ambiente externo que atinge a gravura. Se você emoldurar por exemplo um pôster do Monet, poderá utilizar um paspatur comum não alcalino e com função meramente decorativa porém quando você for emoldurará uma gravura original, é realmente  importante o emprego de um paspatur alcalino, livre de acidez, que irá protegê-la da melhor forma possível contra ação dos fungos.”  

André Vincenti, da Molducenter

André complementa que a função do paspatur é criar um micro clima dentro da moldura, porém somente sobre a área do desenho. Esse micro ambiente entre o vidro e a gravura é criado pelo uso do paspatur de 1 a 2 mm que deixará a gravura “respirar”.  Perguntei-lhe então quais são as etapas corretas para emoldurar uma gravura e ele me explicou que existem 5 passos básicos e fáceis do moldureiro seguir:

Moldura: se quiser utilizar alguma moldura antiga, deve-se desinfetá-la antes e isolar com fita adesiva alcalina a área onde se encaixa o vidro e as demais partes do quadro.

Vidro: jamais aproveite algum vidro usado.

Paspatur: utilize paspatur livre de ácido/alcalino. Recomendamos a linha Select.

Gravura

Opcional: antes de colocar o fundo para fechar a gravura,  recomendamos o uso do Barrier,  um papel livre de acidez que funcionará como mais uma barreira de proteção contra os fungos.

Fundo : sempre utilize o Foam Board que é uma placa de prolipropileno alcalino ou então um cartão micro ondulado alcalino. O fundo do quadro é a área mais importante a ser preservada pois é a entrada mais fácil de fungos e bactérias até a gravura.

André informou também que na hora de fixar a gravura ao paspatur e depois fechar o fundo, “jamais deixe de trabalhar com fita adesiva alcalina, ou seja, livre de ácido. Nada de economizar usando a fita durex ou fita crepe utilizados em casa”, finaliza.

Em breve informaremos  alguns contatos de bons moldureiros que trabalhem utilizando corretamente as técnicas e papéis adequados para emoldurar suas gravuras. Aguardem!

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