O Papel da Arte

ENTREVISTA COM ANTONIO GROSSO

O papel é um organismo vivo e, portanto, biodegradável. Sofre como nós a ação do tempo, exposto não só ao prazer estético mas também às condições climáticas. Por ser orgânico, necessita respirar e na medida do possível, estar num ambiente com temperatura e umidade adequadas para sua conservação.   Nossas casas não possuem  controle de temperatura e umidade porém existem alguns cuidados que podemos ter com uma obra de arte em papel.

Antonio Grosso, restaurador

Conversei com Antonio Grosso, importante mestre gravador e uma das maiores autoridades brasileiras em restauração e conservação de papel e que nos dá excelentes conselhos:

JR: Antonio, que cuidados devemos ter quando colocamos uma gravura em nossa parede?

AG: O primeiro cuidado que você precisa ter é saber se em algum momento do dia, essa obra sofrerá a ação direta do sol. A luz solar destroe o papel ressecando-o e queimando-o.  Também deve ser observado se a parede onde a obra será exposta não possui umidade ou qualquer tipo de vazamento.

JR: Com  um País tão grande como o nosso e uma variação climática muito grande,  como poderíamos  contornar o problema da umidade?

AG: Existem medidas adotadas pelos museus públicos e instituições privadas que instalam controladores de temperatura e umidade ambiente, mantendo um equilíbrio de acordo com o clima local. Naturalmente é impensável adotarmos tal procedimento em nossas residências devido aos altos custos de instalação destes equipamentos. Minha sugestão é que o colecionador deva sempre instalar sua obra de arte num local onde exista renovação do ar, não deixando-o em locais fechados, frios ou úmidos.

JR: É verdade que uma gravura pode ser emoldurada no formato “sanduíche”, vidro com vidro? Isso não danificaria o papel?

AG: Nos anos 50 e 60, usou-se muito essa técnica porém de forma incorreta, criando-se um mito de que esse tipo de moldura danificaria a obra. Mas o fato é que essa forma de emoldurar gravuras pode ser utilizada sim,  desde que seja retirado todo o ar que exista entre as duas lâminas de vidro, vedando-as depois. Seria como por exemplo uma embalagem de alimento fechado a vácuo, ou seja, a inexistência desse ar não permitiria o aparecimento de fungos ou bactérias no papel.

JR: Para finalizar, que dicas você sugere para quem vai emoldurar uma gravura numa loja pela primeira vez?

AG: Evite sempre utilizar aquelas molduras “caixa ou vitrine” onde a área pictórica e suas margens ficam expostas numa profundidade de 2 a 2,5 cmts. Esse macro ambiente facilitará  o aparecimento de manchas e fungos. Utilize sempre paspatur para delimitar a área pictórica, criando assim um micro ambiente onde o papel respirará. Quanto maior a área protegida,  menor será a área afetada pela ação dos fungos e condições climáticas.  Certifique-se de que o moldureiro não fechará o verso do quadro com chapa de duratex, madeira ou papelão pois possuem um alto grau de acidez que acelerará a oxidação do papel. Recomenda-se o uso do Foam Board alcalino ou neutro para finalizar o emolduramento. E certifique-se de que são utilizadas fitas adesivas alcalinas para fixar a obra ao paspatour. Fitas durex, crepe ou adesivas não alcalinas causam  danos irreparáveis ao papel.

Julio Reis

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