O Papel da Arte

ENTREVISTA COM LANI GOELDI, PRESIDENTE DO PROJETO GOELDI

Lani Goeldi, Presidente do Projeto Goeldi, em foto de Giuliana Goeldi.

O Papel da Arte foi conhecer a maravilhosa exposição “Goeldi : o encantador de sombras”  em cartaz no Centro Cultural  Correios, na Cidade do Rio de Janeiro (veja em AGENDA).  O evento faz parte das comemorações pelos pelo cinquentenário do falecimento de  Oswaldo Goeldi,  mestre da xilogravura no Brasil e tem curadoria de sua sobrinha neta, Lani Goeldi, Presidente do Projeto Goeldi,  que nos concedeu essa entrevista.

JR:  A originalidade da obra de Goeldi é essencial para a compreensão da evolução das artes plásticas brasileiras no século XX, quando finalmente amadurece e adquire uma identidade própria. Suas xilogravuras são raras e valiosas, sendo desejada por muitos colecionadores. Que conselhos a Sra. poderia dar a quem queira comprar uma obra de Oswaldo Goeldi, sem correr qualquer risco de estar comprando um trabalho cuja autencidade não seja comprovada?

LG:  Em primeiro lugar, sempre é recomendado saber a procedencia e a origem da Obra. Além disso, hoje existe uma vasta blibliografia a respeito que pode auxiliar o interessado, sem desprezar o auxilio do Projeto Goeldi que possui uma ampla catalogação das obras e um perfeito “rastreamento” uma vez que seus membros integrantes são os maiores pesquisadores, colecionadores, familiares e interessados na preservação da autenticidade de sua obra.

JR:  A criação do projeto Goeldi foi uma grande iniciativa para a preservação da obra e memória do artista e deveria ser seguido pelos familiareis e colecionadores de muitos outros grandes nomes das artes plásticas que após a morte tiveram suas obras esquecidas ou pulverizadas. Como e quando nasceu a idéia de criação do Projeto Goeldi e quais foram as maiores dificuldades em transformá-lo em realidade?

LG: Sem duvida o Projeto Goeldi nasceu como um braço cultural da Associação Artistica e Cultural Oswaldo Goeldi que existe há mais de oito anos devidamente registrada nos orgãos competentes e reconhecida por Lei como entidade de Utilidade Pública. Foi um trabalho árduo que só se concretizou em decorrência da persistência dos próprios familiares do artista, mas muito antes de ser constituída como pessoa juridica,  já tinhamos um grupo formado por pesquisadores, historiadores e expertices  da obra de Goeldi que atuavam com este propósito.

JR: Existe um projeto para a produção de um catálogo raisonné da obra de Oswaldo Goeldi? Quantas obras já foram catalogadas até o momento? Qual seria a previsão de publicação? Ainda chegam obras desconhecidas para verificação de autenticidade?

LG: Sim.  Existe um estudo, entretanto não é uma prioridade visto que a catalogação ainda não está concluida. Até o momento conseguimos catalogar perto de 2000 obras entre  desenhos, guaches, aquarelas, xilogravuras, gravuras e pinturas.

JR: O que devo fazer caso adquira uma obra atribuída a Oswaldo Goeldi porém tenha dúvidas quanto à autenticidade e queira essa expertise?

LG:  Exigir documentalmente subsídios que comprovem a origem lícita e um breve histórico, procurando sempre adquirir de galerias sérias, leilões idôneos  e colecionadores que as tenham catalogado. Na dúvida consultar um perito oficial e jamais “embarcar” em palavras de “espertalhões” ou falsos marchands que só visem o lucro comercial.

JR: O Projeto Goeldi mantem alguma oficina para ensino permanente, didático e artístico da xilogravura?

LG:  Sempre foi uma das metas prioritárias de nosso trabalho. O Projeto Goeldi atualmente apóia e patrocina cursos e atividades relacionadas ao incentivo e à prática da xilogravura, em especial promovendo workshops com grandes gravadores da atualidade. Conseguimos instituir na Escola Municipal do Trabalho em Taubaté a disciplina da gravura em função de  um de nossos workshops realizados  e hoje  o professor – ex aluno nosso –  consegue disseminar a xilogravura para mais de 200 alunos por ano. 

 
 

Exposição no Centro Cultural Correios no RJ, com a mostra "Goeldi, o encantador de sombras", foto de Giuliana Goeldi.

JR:  Quais serão os eventos que acontecerão durante o ano Goeldi de 2011? E quantas cidades abrangerá?

LG:  Temos alguns eventos fixos que ocorrem há mais de seis anos e que seguramente farão parte de 2011 como a Semana de Arte do Vale do Paraíba, que acontece durante uma semana inteiramente voltada para a arte em Taubaté e o Arte na Montanha que acontece em Campos do Jordão durante o Festival de Inverno.  Com relação a Goeldi, ainda este ano participaremos da 29a. Bienal de São Paulo.  Também em virtude do cinquentenário de seu falecimento em 2011, estamos programando projetos para exposições em Belém, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasilia e São Paulo. Como nosso foco como instituição é bem amplo, estamos elaborando uma série de projetos para outros artistas como Adir Botelho e Sonia Menna Barreto  e também programando o nosso IV Xilogravando no Vale, oficina exclusivamente direcionada à xilogravura.

JR: A beleza e originalidade da obra de Goeldi são indiscutíveis perante a crítica brasileira e internacional. Investir no Projeto Goeldi é sem dúvida alguma, uma excelente oportunidade para empresas que desejam demonstrar junto aos seus clientes os ideais de ética, integridade, trabalho sério e preocupação pela cultura brasileira. Há  algum grande projeto que esteja dependendo de patrocínio para que seja posto em prática?

LG: Sim,  temos recebido o apoio cultural de grandes entidades e  gostaria de convidar a todas que ainda não conhecem o Projeto Goeldi para que visitem os nossos sites www.oswaldogoeldi.org.brwww.centrovirtualgoeldi.com  e  www.oswaldogoeldi.com.br . Temos vários projetos em aberto que se encaixam e se adequam a cada interessado, pois hoje somos um  Ponto de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo e acrescentamos além do Projeto Goeldi e da Associação Artistica Cultural Oswaldo Goeldi mais um braço que enfoca a Cultura Popular Brasileira.  Com esta amplitude conseguimos abraçar diversos projetos e adequá-los às Leis de Incentivo e fomentarmos nosso trabalho além de contribuirmos através da arte na inclusão social.

Julio Reis

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