O Papel da Arte

POR QUE INVESTIR EM ARTE? ENTREVISTA COM SORAIA CALS

Soraia Cals, à frente do maior escritório de arte do País.

O Escritório de Arte Soraia Cals está entre os melhores escritórios de arte do País realizando os mais disputados leilões do mercado. Seus catálogos, verdadeiros livros de arte, vêm acompanhados por excelentes textos e artigos escritos pelos maiores especialistas e críticos do País, como por exemplo, Frederico Morais.  Soraia trabalha junto com Evandro Carneiro, leiloeiro público e escultor de grande sensibilidade.  Juntos,  conseguiram ao longo dos anos contribuir decisivamente para a valorização das artes plásticas brasileiras.  Ela nos concedeu uma longa entrevista, falando sobre o mercado de arte em papel, seus colecionadores, cuidados na compra e  sua importância como investimento.

JR:  Por que investir em arte?

SC: Investir em arte, além de dar maior prazer visual, faz com que o investidor conviva com o objeto de investimento, o que não é possível no caso de aplicações ou ações, pra citar dois exemplos. Não há como usufruir esteticamente da bolsa de valores. Outra característica importante é que trata-se de um investimento de longo prazo, pois a lucratividade aumenta com o passar dos anos. E é muito mais rentável do que qualquer outro ativo. Um quadro de Tarsila do Amaral comprado na década de 1980 hoje vale 10 vezes mais.

JR: Qual o perfil de um investidor de arte  em papel?

SC: Temos dois perfis para o investidor de arte em papel: aqueles que priorizam esse tipo de obra e dedicam-se a colecioná-las exclusivamente e aqueles que querem iniciar suas experiências no mercado de arte e que começam pelos papeis, que geralmente têm preço mais baixo. Ambos são apaixonados por arte, naturalmente.

JR: Existe uma diferença marcante entre o perfil de colecionador de gravuras e o de um colecionador de pinturas ? E qual seria esse perfil?

SC: Bom, basicamente, trata-se de uma diferença de preferência ou opção, no caso de colecionadores exclusivamente de papeis, ou de início de experiência no mercado de arte no caso daqueles que ainda não têm dinheiro para investir em óleos. 

JR: O mercado para compra de  arte sobre papel está aquecido? E quais artistas que até pouco tempo não eram muito valorizados representam agora uma boa opção para investimento?

SC: Acredito que, apesar da crise financeira, o mercado para compra de arte sobre papel esteja, sim, aquecido. Um bom exemplo disso é o artista Roberto Burle Marx, sempre um bom caso de investimento rentável. As obras em papel de autoria dele alcançam preços excelentes em leilões.

JR: As obras de arte do século XIX, sobretudo as litogravuras feitas pelos pintores viajantes são uma boa opção de investimento? Por que?

SC: Acho que, acima de tudo, deve haver uma identificação do comprador com a obra. Não acho que um investidor em arte vá adquirir qualquer obra apenas por méritos financeiros. Ele cria um vínculo afetivo com a peça. Então, no caso desse comprador ter interesse por obras de cunho histórico, acho que trata-se de uma boa opção de investimento. Outro bom exemplo de bom investimento para o tema que você descreveu é quando órgãos públicos adquirem essas peças, que são parte importante na compreensão da história da construção e evolução cultural do Brasil.

JR: Que cuidado devemos ter ao comprar uma litogravura do século XIX de um pintor viajante?

SC: Primeiro, deve-se procurar saber a origem da peça, sua procedência no que diz respeito aos antigos proprietários da mesma. Outro cuidado importante é comprar de pessoas e instituições confiáveis. Além disso, no que tange à conservação, deve-se verificar qual é o estado do papel (no Brasil, diferentemente de muitos países, as obras em papel sofrem com fungos) e, ainda, no caso de obras aquareladas, se essa aquarela foi bem feita. Por fim, seria obrigatório a retirada da moldura, pois muitos compradores por desconhecimento não tiram da moldura e só descobrem os defeitos de corte no papel depois de muitos anos. Importante colocar que a gravura, quando é cortada, perde o valor integralmente, portanto, é fundamental essa retirada.

JR: Que fatores devemos levar em conta ao adquirir como opção de investimento uma obra de arte seja ela uma serigrafia, xilo ou gravura em metal?

SC: Estudar arte, ler sobre, procurar saber sobre os artistas, visitar leilões diversos, gosto pessoal…há muitos fatores que devem ser considerados.

JR: Porque é importante fornecer o máximo de informações/documentação sobre as obras que são postas à venda  em seus leilões?

SC: Para garantir que a obra seja autêntica e que tenha excelente procedência. Trata-se de um investimento considerável. No caso de óleos, muitas vezes paga-se o mesmo preço que se pagaria por um apartamento em local privilegiado. Logo, essas informações/documentações funcionariam como a escritura desse apartamento. No caso de papeis, às vezes atinge-se o preço de um carro, e por aí vai.

 

JR: Que artistas novos no mercado que produzem arte sobre papel você recomendaria a compra?

SC:
Há muitos bons artistas produzindo para que eu cite apenas alguns. Acho que o mercado, felizmente, está muito rico em artistas talentosos.


JR: Para finalizar, quais expectativas para o mercado de arte no Brasil em 2011?
 

SC: Espero que seja um excelente ano para o mercado de arte, que tenhamos muitas exposições e que possamos comemorar a cultura no Brasil!

 

Julio Reis

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